Casos de família: 'arquitetura é frescura'
- Beró Arquitetura
- 28 de mar. de 2022
- 3 min de leitura
Na minha família nunca ninguém contratou arquiteta/o para construir. Quando minha mãe construiu nossa casa não foi diferente. Antes de iniciar ela chamou um arquiteto que não deu muita atenção e entregou um layout sem muitas explicações. Então, ela desenhou a planta, o pedreiro definiu uma estrutura, ela escolheu todos os acabamentos. No meio da obra, caos instaurado, foi chamada uma arquiteta (na época eu já cursava arquitetura) que não conseguiu fazer muita coisa, uma pouco pela obra estar em andamento e outro pouco por falta de entendimento das necessidades.
Contei isso pra dizer pra vocês que eu entendo quando me dizem 'acho que nem precisava de projeto'.

em 2001 quando minha mãe começou a construir a casa - e eu não tinha o contato da @kz.zart pra dizer que essa roupa não faz sentido algum...
O resultado da casa da minha mãe: estrutura hiper dimensionada, vários gastos extras desnecessários, cômodos desproporcionais, problemas como infiltração através do solo e paredes e a total falta de senso estético e funcional. Muito dinheiro foi investido e esse foi o resultado. Na época, se ela tivesse investido aproximadamente 10% do valor da obra teria uma casa mais barata, funcional e bonita. Não é nem que ela não valorizasse meu curso...mas ela não tinha ideia do valor de um projeto X valor da obra.
Não se preocupem, depois que me formei e comecei a trabalhar com isso, ela sentiu confiança para ir arrumando a casa, tudo certo!!!

em 2021 com o primeiro cômodo todo pensado por mim (a sala!)
Massss corta para 2022.
Eu realmente entendo quando as pessoas chegam até nós achando que nosso trabalho é um luxo...infelizmente no nosso país, não deixa de ser. Mas eu tenho uma linha de raciocínio que hoje faz muito sentido pra mim.
Quando eu contrato um profissional para me auxiliar ou fazer um serviço, eu penso em valor / hora.
Por exemplo: se minha hora custa, hipoteticamente, R$50,00 eu penso quanto tempo eu precisaria gastar para executar aquele serviço - que com 100% de certeza, não ficaria tão bom quanto um profissional executando.
Trazendo pra vida real: quando eu faço minhas unhas e pago R$30,00 por meia hora, penso que se eu não fosse no salão e eu mesma fizesse, demoraria 1 hora. Ou seja, 'gastaria' R$50,00 e ainda passaria raiva porque eu não sei fazer unhas.
Outro exemplo: no início do ano fiz uma consultoria de imagem. O valor do pacote dos serviços foi superior a essa minha linha de raciocino de horas trabalhadas, mas quando eu analisei o resultado final de ter uma direção pra seguir na hora de me vestir, eu percebi que economizaria tempo todo dia de manhã, economizaria bastante dinheiro comprando as roupas certas, aproveitando muita coisa que eu já tinha e não usava. Além de me encontrar no final, com um sentimento de autoconhecimento muito maior.
É isso que eu vejo que acontece nos nossos projetos. Acabamos resolvendo situações com muita facilidade (assim como a manicure faz minhas unhas com maestria, ou a personal stylist acerta looks em minutos) e isso não gera 'apenas' conforto, um ambiente bonito, funcionalidade...gera uma economia de tempo e energia. Porque assim...se nós que trabalhamos com projetos todos os dias demoramos um tempo considerável para achar as melhores soluções...quanto tempo um leigo levaria para isso?
Além disso, quando eu penso em investir em algum serviço que eu acho que consigo fazer sozinha, minha terceira análise é: vou gastar X fazendo algum serviço sozinha, sabendo que não vai ter o resultado que eu gostaria (afinal, sou arquiteta) sendo que se eu investisse X+10% teria algo realmente pensado por um profissional.
Não quer dizer que a gente não possa se aventurar! Eu sempre me envolvo nos processos de serviços que contrato, até mesmo para questionar e ter autonomia. Mas valorizar profissionais de outra área é algo que eu aprendi depois de prestar serviços e ensinei minha família a fazer o mesmo.
A família de vocês também é assim? Como é essa relação?
De médico e louco todo mundo tem um pouco!
Beijos, Rafa!!



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